Grupos de Trabalho movimentam programação da tarde
- PráxisJor
- 21 de set. de 2018
- 5 min de leitura
Em seu segundo dia, o PráxisJor contou com a apresentação de pesquisas científicas de alunos e professores de universidades de diversos estados do País
Mateus Sales
2º semestre - Curso de Jornalismo da UFC Kathelyn Silva
1º semestre - Curso de Jornalismo da UFC Raíssa Oliveira
1º semestre - Curso de Jornalismo da UFC
A tarde desta quinta-feira, 20, foi marcada pelas apresentações dos Grupos de Trabalho (GTs), que têm como objetivo levar à discussão e à reflexão temas significativos da prática jornalística. Ao todo, foram apresentados 11 trabalhos divididos em cinco grupos: com 4 trabalhos cada, Jornalismo e Narrativas e Jornalismo e Formação; com 3 trabalhos, Jornalismo e Ética; e, com 2 trabalhos cada, Jornalismo e Trabalho e Jornalismo e Gestão. Os GTs foram mediados por professores do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará e teve a participação de alunos e professores de universidades federais do país apresentando artigos de resultados de pesquisas.
A tarde de GTs da Práxisjor foi marcada pelo intenso diálogo entre pesquisadores e estudantes. “Gostei principalmente do espaço para debates, que é uma coisa que tem tido cada vez menos nos congressos”, afirma Juliana Teixeira, professora da Universidade Federal do Piaui (UFPI). Assim como Juliana, a pesquisadora catarinense Clarissa Peixoto afirma estar “podendo conhecer as outras pesquisas que os colegas estão fazendo em outros lugares do Brasil, acho que é muito legal a troca de experiências”.
A grande discussão levantada pelo GT de Jornalismo e Formação foi a falta de compatibilidade entre as diretrizes dos cursos de Jornalismo e a atuação dos profissionais na área. Como foi levantado pela professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Juliana Teixeira, em seu artigo A compreensão do processo de produção como etapa relevante para a pesquisa em jornalismo: ponderações a partir de estudos do audiovisual em dispositivos móveis, há um abismo entre a academia e a prática, porque pouco se conhece propriamente sobre os processos de produção para o fazer jornalístico.
Além deste, houveram mais três artigos apresentados no GT, todos envolvendo as dificuldades da formação jornalística por diferentes vieses, como o apresentado pelo artigo O design de notícias na formação dos jornalistas no Ceará: um estudo do currículo dos cursos, da professora da Universidade Federal do Cariri (UFCA) Juliana Lotif que expressou sua visão sobre a exclusão da formação voltada ao design nas matrizes de formação do cursos cearenses de Jornalismo e como há a carência da convergência entre as diferentes áreas de saber que compõem a grade curricular .

Destinado a pautar a conduta e a ética na prática jornalística, o GT Jornalismo e Ética expôs pesquisas que propuseram-se a analisar eventos e fenômenos que são bons exemplos de discussão, como entrevistas eleitorais e exposição de crianças e adolescentes e as narrativas inverídicas.

Arthur Silvino Gadelha, em sua pesquisa O legado das narrativas de Samuel Wainer para pensar a ética no jornalismo brasileiro, pleiteou a repercussão e as motivações do jornalismo falso e manipulado criado por Samuel Wainer, que trabalhava a favor de Getúlio Vargas. Luiz Tavares Viana Júnior, aluno do Centro Universitário 7 de Setembro (Uni7), examinou um caso que ocorreu no programa policialesco Cidade 190 em que a imagem de uma criança sofrendo abuso foi transmitida sem restrições e responsabilidade. O jornalista Jonas Viana trouxe à discussão o andamento de entrevistas eleitorais ao refletir sobre a postura dos jornalistas e dos candidatos. Para ele, as entrevistas têm deixado de ter um diálogo e estão se tornando arenas discursivas, uma atitude proposital dos veículos e dos próprios candidatos para o ganho de audiência.
O GT de Jornalismo e Gestão, com o objetivo de discutir sobre a sustentabilidade do jornalismo, foi liderado pelo professor Robson Braga e teve a apresentação de dois trabalhos. O primeiro, de título “Jornalismo nas plataformas: estratégias de distribuição e produção de conteúdo nativo no Facebook em empresas jornalísticas de tradição impressa”, foi dissertado pela professora Juliana Fernandes Teixeira da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Já o segundo, teve como título Jornalismo Pós-Industrial e colaboração em rede: uma análise das plataformas Connectas e The Intercept_Brasil”, e foi exposto pelo aluno Afonso Ribas Moreira, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).

Os trabalhos trouxeram discussões significativas sobre como a internet tem impactado o fazer jornalístico. A professora Juliana Fernandes Teixeira questionou, em sua pesquisa, a adaptação para as redes sociais de jornais de tradição impressa e se essa mudança estava sendo monetariamente positiva para tais empresas. Ela lembra que a monetização do jornalismo é necessária mas é preciso também ter muito cuidado para não se esquecer do lado social da profissão. O aluno Afonso Ribas Moreira dissertou sobre a chegada da internet e da colaboração em rede e como esses eventos modificaram a profissão do Jornalista. Logo após às apresentações, os alunos e convidados presentes puderam discutir sobre o cenário de constante mudança presente no Jornalismo.
No GT de Jornalismo e Trabalho, foram apresentados trabalhos que contemplam as rotinas produtivas dos jornalistas e a profissionalidade. Teve início com uma pesquisa sobre a cultura do clique, realizada por Kenia Beatriz Ferreira Maia e Wilson Galvão de Freitas Teixeira, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que em conjunto analisaram novas estratégias para atingir uma maior gama de leitores através de métricas, algoritmos e palavras-chave. A professora do Centro Universitário 7 de Setembro (Uni7) Eulalia Emilia Pinho Camurça, ao orientad um trabalho de conclusão de curso do aluno João Ricart, observou que a agência de fact-checking Lupa desponta como um jornalismo de qualidade, uma vez que as fake news e o fact check têm se tornado novo modelo de negócios no jornalismo.
O GT de Jornalismo e Narrativas, que recebeu o maior número de visitantes, abordou algumas mudanças no fazer jornalístico ocorridas devido a novas formas de discurso, como a ferramenta Instagram Stories, os hiperinfográficos e o webjornalismo. “As discussões foram muito interessantes. Tive várias ideias de outras pesquisas que eu tenho o interesse de desenvolver também”, afirma Beatriz Lima de Carvalho, aluna do oitavo semestre do curso de Jornalismo da UFC, que se apresentou ao lado de Thaís Jorge de Freitas, aluna do Mestrado em Comunicação da UFC. As duas desenvolveram uma pesquisa sobre a apropriação do Instagram Stories pelo jornalismo. Sobre sua experiência no segundo dia do Práxisjor, Thaís disse: “O evento é pra isso mesmo, é pra abrir a cabeça da gente”.
Outra pesquisa que merece destaque foi a realizada pela mestranda pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Clarissa Peixoto, sobre o portal Catarinas, um coletivo com características de jornalismo independente que aborda as perspectivas de gêneros e dos direitos das mulheres. Ao ser perguntada sobre o evento, ela afirmou que “acrescentou bastante, aprendi bastante coisa hoje aqui”.
Áurea Caxias, graduanda de Jornalismo da UFC, elogiou a diversidade de temas debatidos. Quando questionada se participaria de uma edição futura do Práxisjor, a resposta foi rápida: “Com certeza”.
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